Sábado, véspera de eleição, é dia de decisão no Maracanã. Fluminense e Botafogo disputarão mais uma decisão; decidirão o título da Taça Guanabara. Como um bom torcedor, dedicado e fiel, seu Julinho de Menezes, botafoguense dos mais supersticiosos, dias antes, já preparava sua camisa, sua bandeira e seu ingresso de arquibancada. Morador de Senador Camará, o velho torcedor, já com seus cinqüenta e nove anos, quase sessenta, não perdia o prazer de assistir aos jogos de seu time do coração. Tudo já estava pronto. Até a oração de São Benedito tinha que estar em local apropriado – dentro do bolso esquerdo de sua calça de tergal preta; nem muito ao fundo, nem muito superficial. Estratégia infalível, dizia o Seu Julinho, contra qualquer esquema tático.
Seu Julinho, devido às várias décadas vividas, sabia de muitas histórias dentro e fora de campo. Cada adversário do seu time, se já o houvesse enfrentado antes, sabia de cor e salteado todos os detalhes do último confronto; quantos gols marcados, quem os marcou, a pontuação na tabela, até o número exato de cartões sabia de cor. Memória espetacular. Os amigos o admiravam muito. Mesa redonda que se preze não podia ser sem a presença do Seu Julinho. Esperava-o, lá, o vascaíno, o flamenguista, o tricolor, o americano, até torcedor do Bangu tinha representante no bate-papo da praçinha do bairro. Agora, Seu Julinho de Menezes se preparava para mais um clássico no Maraca; a decisão da Taça Guanabara.
As eleições de domingo anteciparam a rodada dos campeonatos do fim de semana em todos os Estados do Brasil. A democracia iria ser exercida nas eleições para Governador do Estado. No Rio de janeiro, segundo as pesquisas, dois candidatos estavam empatados tecnicamente; um era o Antero Carlos, candidato de direita, filho de um político de longa data, declarado flamenguista desde a infância, o outro era o Delfim Cardoso, candidato de esquerda, com larga experiência em mandatos políticos, era tricolor doente. Se não houvesse a antecipação dos jogos do fim de semana para o sábado, e a maçada da propaganda eleitoral gratuita, muita gente nem lembraria das eleições de domingo. Seu Julinho pensava também assim. ‘Mas que absurdo! Decisão da Taça Guanabara num sábado’ – dizia pra si o velho Julinho, quando o Arnaldo, barbeiro do bairro, fazia a sua barba.
E chegou o grande dia! Das eleições? Claro que não. Do jogo! O jogo estava previsto para as dezessete horas, já as treze Seu Julinho se preparava pra sair de casa. Fez uma conferência em todos os detalhes antes de sair: A calça meticulosamente passada, já com a oração de São Benedito no bolso, estava perfeita; a camisa, símbolo maior de paixão pelo time do coração, estava maravilhosa, as cores, preta e branca, estavam bem vivas. A bandeira, pronta para ser desfraldada. O ingresso de arquibancada dentro da carteira recebia mais atenção. O velho rádio de pilha, com pilhas novas, já sintonizado na rádio Tupi. Era a espera pela voz poderosa de Jorge Curi. Tudo pronto, e lá partiu Seu Julinho para a estação de trem de Senador Camará.
Já na estação, após passagem pelo buraco do muro, seu Julinho aguardava ansioso o trem parador que viria de Santa Cruz. Após a demora de alguns minutos angustiantes, o trem surgiu no horizonte. Estava muito cheio. Os vários torcedores de agremiações diferentes se misturavam em busca de um lugar mais cômodo dentro da composição, numa confusão de cores, estaturas e comportamentos. E lá embarcou o Seu Julinho, com destino final à estação de Derby Club.
Ao subir a rampa do maior estádio de futebol do mundo, a emoção tomou conta do coração do velho botafoguense. Não era a primeira, nem seria a última vez que pisava no Maracanã, mas estava ali, como se as outras vezes fossem a complementação daquele dia, eternas emoções que só o futebol é capaz de proporcionar ao espírito do brasileiro.
Maracanã lotado, mais de oitenta mil pagantes prestigiavam o clássico vovô. A guerra de bandeiras das torcidas fantasiava ainda mais o espetáculo. O jogo começa e termina. O coração acelera e desacelera. O sol nasce e se põe. O espetáculo acaba e o gosto de vitória dos vencedores dura eternamente no inconsciente. Já para os perdedores, mais alguns minutos de gozações e lamentações. A vida prossegue com o sabor das vitórias guardadas sabe lá onde, e o gosto amargo da perda que dura pouco, até o próximo desafio.
Seu Julinho, como milhares de torcedores do botafogo, sente a sensação da derrota. Não foi o campeão da Taça Guanabara. A tristeza durante a semana será característica do experiente e tão inexperiente torcedor. O trem lotado da volta o angustiou ainda mais. Pensou no precário sistema de transportes do Rio, mas logo voltou pensamento pro jogo. Como ficaria o Botafogo?
No outro dia, Seu Julinho acordou tarde. Desanimado. Cansado. Não lembrou que era dia de eleições. Depois de lembrado, não tinha ânimo de sair de casa; era gozação certa. Como podia optar em votar ou não, resolveu não fazê-lo.
Os jornais de segunda-feira anunciavam que o candidato Antero Carlos vencera as eleições com ampla vantagem. O número de votos brancos e nulos excedia por mil o número de pagantes no clássico no Maracanã.
(Silfra Doval, Taubaté, 17 de julho de 2005).
Sejam Bem-Vindos!
O Botequim é um espaço democrático e opinativo sobre os mais diversos assuntos, envolvendo a sociedade brasileira e o mundo.
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domingo, 10 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
Espaço Ponto de Vista: O Poder Corrompe
O historiador inglês Lord John Acton ficou muito conhecido, no século XIX, por uma frase a respeito do poder. Assim disse, “o poder tende a corromper; o poder absoluto corrompe de maneira absoluta. Os grandes homens quase sempre são homens maus”. Mas, devido a uma deturpação do verdadeiro sentido de sua famosa frase, já ouvimos algo assim, “o poder corrompe, portanto, o poder absoluto corrompe de maneira absoluta”.
Buscando melhor entender as duas construções, percebemos que o poder não corrompe, mas apenas o poder absoluto, ou melhor, o poder ilimitado.
Hitler tinha em suas mãos um poder absoluto e fez o que fez. Saddam Hussein também tinha o poder absoluto no Iraque e foi protagonista de vários massacres em seu país. Nos países da América, durante a ditadura, muita gente morreu lutando pela liberdade de expressão, e hoje, vemos a Venezuela à mercê de um ditador, Hugo Chaves e seu odiado ‘chavinismo’, portanto são mais exemplos do uso do poder ilimitado e absoluto.
Mas quando o poder não é absoluto, ou melhor, limitado, nas palavras de Acton, “tende a corromper”, assim o que fará a diferença será o caráter do líder, pois a todo o momento, seus valores e sua ambição serão postos em check. Mas a limitação que é imposta ao poder do rei não é apenas a do seu caráter ou a de seus valores, mas limitações factíveis que vem do modelo inspirado pelo filósofo grego, Charles de Montesquieu.
Hoje, nas principais repúblicas democráticas, o modelo de Montesquieu baseado no equilíbrio dos poderes é o principal ‘freio’ às ambições e caprichos do líder, portanto os três poderes que existem hoje no Brasil – Executivo, Legislativo e Judiciário – têm como atividade míster fiscalizar uns aos outros. É dessa forma que o líder maior da nação não pode agir por sua conta e livre vontade, assim o poder do rei fica limitado.
Aproveitando o assunto, o presidente Lula se envolveu em casos polêmicos antes do pleito eleitoral. Ao ser criticado por sua conduta de cabo eleitoral da candidata Dilma Rousseff, por diversos órgãos da imprensa, o presidente chegou ao ponto de pedir ao TSE que retirasse do site da CBN um artigo de Arnaldo Jabour, contrário à candidata Dilma. Independente se o artigo de Jabour falasse bem ou mal de Dilma Rousseff, em virtude da lei eleitoral, o que ficou marcado em tudo isso foi a limitação a um direto maior, cláusula pétrea de nossa constituição, o direito de imprensa.
Se o presidente Lula foi corrompido pelo poder, isso é outra história, até porque, se já estiver corrompido, dirá que ‘não sabe de nada’, portanto pouco importa, pois vindo de quem vem é compreensível, mas a grande dúvida é, será que os poderes constituídos usam de sua prerrogativa de fiscalização para outros fins, como o político-eleitoral? Taí outro assunto de difícil explicação, mas prefiro ficar com minhas dúvidas, pois qualquer desconfiança poderá tornar as coisas ainda mais sem sentido.
A única coisa que sei é que um governo, composto, em sua maioria, de políticos oriundos de um mesmo partido, que sempre lutou pela democracia e pela liberdade não pode, quando se vê perdendo terreno eleitoral, apelar para o mesmo autoritarismo que antes repudiava. Isso é que eu chamo de falsidade, maucaratismo e de um totalitarismo ainda pior do que antes existia.
(Por Franco Aldo, 09/10/2010, às 14:30Hs)
Buscando melhor entender as duas construções, percebemos que o poder não corrompe, mas apenas o poder absoluto, ou melhor, o poder ilimitado.
Hitler tinha em suas mãos um poder absoluto e fez o que fez. Saddam Hussein também tinha o poder absoluto no Iraque e foi protagonista de vários massacres em seu país. Nos países da América, durante a ditadura, muita gente morreu lutando pela liberdade de expressão, e hoje, vemos a Venezuela à mercê de um ditador, Hugo Chaves e seu odiado ‘chavinismo’, portanto são mais exemplos do uso do poder ilimitado e absoluto.
Mas quando o poder não é absoluto, ou melhor, limitado, nas palavras de Acton, “tende a corromper”, assim o que fará a diferença será o caráter do líder, pois a todo o momento, seus valores e sua ambição serão postos em check. Mas a limitação que é imposta ao poder do rei não é apenas a do seu caráter ou a de seus valores, mas limitações factíveis que vem do modelo inspirado pelo filósofo grego, Charles de Montesquieu.
Hoje, nas principais repúblicas democráticas, o modelo de Montesquieu baseado no equilíbrio dos poderes é o principal ‘freio’ às ambições e caprichos do líder, portanto os três poderes que existem hoje no Brasil – Executivo, Legislativo e Judiciário – têm como atividade míster fiscalizar uns aos outros. É dessa forma que o líder maior da nação não pode agir por sua conta e livre vontade, assim o poder do rei fica limitado.
Aproveitando o assunto, o presidente Lula se envolveu em casos polêmicos antes do pleito eleitoral. Ao ser criticado por sua conduta de cabo eleitoral da candidata Dilma Rousseff, por diversos órgãos da imprensa, o presidente chegou ao ponto de pedir ao TSE que retirasse do site da CBN um artigo de Arnaldo Jabour, contrário à candidata Dilma. Independente se o artigo de Jabour falasse bem ou mal de Dilma Rousseff, em virtude da lei eleitoral, o que ficou marcado em tudo isso foi a limitação a um direto maior, cláusula pétrea de nossa constituição, o direito de imprensa.
Se o presidente Lula foi corrompido pelo poder, isso é outra história, até porque, se já estiver corrompido, dirá que ‘não sabe de nada’, portanto pouco importa, pois vindo de quem vem é compreensível, mas a grande dúvida é, será que os poderes constituídos usam de sua prerrogativa de fiscalização para outros fins, como o político-eleitoral? Taí outro assunto de difícil explicação, mas prefiro ficar com minhas dúvidas, pois qualquer desconfiança poderá tornar as coisas ainda mais sem sentido.
A única coisa que sei é que um governo, composto, em sua maioria, de políticos oriundos de um mesmo partido, que sempre lutou pela democracia e pela liberdade não pode, quando se vê perdendo terreno eleitoral, apelar para o mesmo autoritarismo que antes repudiava. Isso é que eu chamo de falsidade, maucaratismo e de um totalitarismo ainda pior do que antes existia.
(Por Franco Aldo, 09/10/2010, às 14:30Hs)
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Espaço Ponto de Vista: A Falta de Praticidade de Nossa Educação
Na revista Veja desta semana, li a coluna do economista Claudio de Moura Castro que trata do assunto educação. O foco de sua coluna diz respeito à falta de praticidade e consistência com a realidade dos conteúdos que são ministrados em sala de aula, principalmente no ensino médio. Segundo ele, são as ‘idéias inertes’ que distorcem o verdadeiro conceito de educação.
O problema da educação no Brasil é assunto bem complexo e fruto de séculos e séculos de descaso, mas um desses problemas que é bem visível hoje em dia e que é perceptível por todos, principalmente pelos alunos, é o porquê de se aprender determinados assuntos que não terão nenhuma praticidade na vida do sujeito. Já escrevi alguma coisa a esse respeito, mas não me lembro de ter postado aqui no Botequim, pois o problema da teoria sem o engajamento prático é uma distorção que faz muito sentido, principalmente para os alunos, que chegam à conclusão que não faz sentido algum se aprofundar em complicadas equações matemáticas ou nas terríveis fórmulas químicas, e para não citar, os abstratos poemas e obras literárias, se tudo isso não tiver um sentido prático em suas vidas. É um dos problemas de nossa educação, a meu ver, que pode ser solucionado em curto prazo, mas, como tudo que envolve educação, terá seus reflexos no futuro.
A coluna trata de um assunto que não é novidade pra ninguém, principalmente para os dirigentes de nossa educação. Se for tão importante assim para um garoto do ensino médio saber profundamente equações matemáticas, que faça um curso em especialização no assunto, mas obrigar a todos a engolir teorias que serão, um dia depois da última aula, esquecidas para sempre, é muita covardia.
Além de tudo isso, temos o problema da abordagem incompleta desses assuntos, isto é, além de ter que aprender coisas sem sentido para o dia-a-dia, o assunto é mal ministrado e muitas vezes incompleto. Segundo Claudio Castro, solto, ‘perdido no espaço sideral’.
Portanto, teoria sem praticidade é quase igual ao sentido da fé. Você estuda e acredita, mas não vê nada de consistente no seu mundo real. Você pode saber de tudo do passado de uma civilização, mas se seus estudos não forem contextualizados com o presente, com a vida, qual o sentido de se estudar coisas que há muito tempo foram esquecidas?
Para finalizar, nas palavras de Claudio Moura, ‘A educação só tem um assunto: a vida. Só devemos voltar ao passado se for para iluminar questões presentes. Estudamos teorias porque nos ajudam a entender o mundo. Mas, se o aprendido não permite lidar melhor com o aqui e agora, por que perder tempo, se há tantos assuntos palpitantes? Só para poucos adianta estudar equações quadráticas, no abstrato, apenas para desenvolver a capacidade analítica. Educação é estudar a vida, e não se pode adiar a vida até que os talentos analíticos estejam adestrados. Se não há problemas reais para acompanhar o seu aprendizado, que sejam tais equações banidas do currículo da maioria dos alunos – e o mesmo para quaisquer outros assuntos.’
(Por Franco Aldo, 08/10/2010, às 10:30hs)
O problema da educação no Brasil é assunto bem complexo e fruto de séculos e séculos de descaso, mas um desses problemas que é bem visível hoje em dia e que é perceptível por todos, principalmente pelos alunos, é o porquê de se aprender determinados assuntos que não terão nenhuma praticidade na vida do sujeito. Já escrevi alguma coisa a esse respeito, mas não me lembro de ter postado aqui no Botequim, pois o problema da teoria sem o engajamento prático é uma distorção que faz muito sentido, principalmente para os alunos, que chegam à conclusão que não faz sentido algum se aprofundar em complicadas equações matemáticas ou nas terríveis fórmulas químicas, e para não citar, os abstratos poemas e obras literárias, se tudo isso não tiver um sentido prático em suas vidas. É um dos problemas de nossa educação, a meu ver, que pode ser solucionado em curto prazo, mas, como tudo que envolve educação, terá seus reflexos no futuro.
A coluna trata de um assunto que não é novidade pra ninguém, principalmente para os dirigentes de nossa educação. Se for tão importante assim para um garoto do ensino médio saber profundamente equações matemáticas, que faça um curso em especialização no assunto, mas obrigar a todos a engolir teorias que serão, um dia depois da última aula, esquecidas para sempre, é muita covardia.
Além de tudo isso, temos o problema da abordagem incompleta desses assuntos, isto é, além de ter que aprender coisas sem sentido para o dia-a-dia, o assunto é mal ministrado e muitas vezes incompleto. Segundo Claudio Castro, solto, ‘perdido no espaço sideral’.
Portanto, teoria sem praticidade é quase igual ao sentido da fé. Você estuda e acredita, mas não vê nada de consistente no seu mundo real. Você pode saber de tudo do passado de uma civilização, mas se seus estudos não forem contextualizados com o presente, com a vida, qual o sentido de se estudar coisas que há muito tempo foram esquecidas?
Para finalizar, nas palavras de Claudio Moura, ‘A educação só tem um assunto: a vida. Só devemos voltar ao passado se for para iluminar questões presentes. Estudamos teorias porque nos ajudam a entender o mundo. Mas, se o aprendido não permite lidar melhor com o aqui e agora, por que perder tempo, se há tantos assuntos palpitantes? Só para poucos adianta estudar equações quadráticas, no abstrato, apenas para desenvolver a capacidade analítica. Educação é estudar a vida, e não se pode adiar a vida até que os talentos analíticos estejam adestrados. Se não há problemas reais para acompanhar o seu aprendizado, que sejam tais equações banidas do currículo da maioria dos alunos – e o mesmo para quaisquer outros assuntos.’
(Por Franco Aldo, 08/10/2010, às 10:30hs)
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Espaço Literatura: Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura 2010
Mario Vargas Llosa ganha prêmio Nobel de Literatura
Escritor peruano receberá R$ 2,7 milhões da Academia Sueca e virá ao Brasil na próxima semana, para um evento em Porto Alegre
O escritor peruano Mario Vargas Llosa, 74 anos, é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura 2010, anunciou hoje a Academia Sueca. Llosa é autor de best-sellers como "Pantaleão e as Visitadoras", "A Festa do Bode" e "A Casa Verde", e foi o vencedor do Prêmio Cervantes, o mais importante da literatura em língua espanhola, em 1994. É o primeiro escritor latino-americano a ganhar o Nobel de Literatura desde o mexicano Octavio Paz, em 1990. Sua obra já foi traduzida em mais de 20 línguas. "Travessuras da Menina Má" é seu último trabalho, lançado em 2006, disponível no Brasil pela editora Alfaguara.
Segundo comunicado, Vargas Llosa recebeu o prêmio "por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual". Peter Englund, presidente do comitê de literatura do Nobel, disse que o escritor ficou "muito comovido e entusiasmado" ao saber da escolha. "Ele é um autor excepcional, e um dos grandes escritores do mundo de língua espanhola", disse Englund. "É uma das pessoas que estavam por trás do boom literário na América Latina nos anos 60 e 70, e continua trabalhando e crescendo."
Em entrevista a uma rádio colombiana, Vargas Llosa afirmou que este é um reconhecimento da literatura da América Latina. "Não pensava que sequer estava entre os candidatos", disse o escritor em Nova York, na primeira reação após receber a notícia do prêmio. "Pensava que era uma brincadeira. Tenho vontade de ir caminhar porque estou meio perplexo." De fato, ele nem aparecia entre os possíveis ganhadores nas listas das tradicionais casas de apostas britânicas, que acreditavam na campanha do poeta sueco Tomas Transtomer. "Acredito que é um reconhecimento à literatura latinoa-mericana e à literatura em língua espanhola, e isto sim deve alegrar a todos", acrescentou ele.
A vitória do Nobel vem acompanhada de uma soma em dinheiro no valor de R$ 2,7 milhões. Em 2009, o prêmio foi dado à escritora alemã Herta Müller, 12ª mulher a vencer o Nobel de Literatura. Em 2008 foi a vez de Jean-Marie Gustave Le Clézio e em 2007, Doris Lessing.
Material autobiográfico
Em mais de 30 romances, peças e ensaios, Vargas Llosa desenvolveu sua técnica de contar histórias a partir de vários pontos de vista, às vezes separados no tempo e espaço. Seu trabalho permeia os gêneros e o consolidou como uma das figuras cruciais do "boom" literário latino-americano dos anos 60.
Muitas de suas obras têm componentes autobiográficos. Seu aclamado romance de estreia, "A Cidade e os Cachorros" (1962), era inspirado na sua adolescência em uma academia militar de Lima. Em "O Peixe na Água" (1993), relatou sua experiência como candidato a presidente. "O trabalho de um autor é alimentado por sua própria experiência e, com os anos, se torna mais rico", disse Vargas Llosa em entrevista à Reuters em Madri, em 2001.
De fato, a escrita de Vargas Llosa cresceu junto com sua experiência. Ele continuou experimentando com a forma, a perspectiva e os temas. Um dos seus romances mais recentes, "Travessuras da Menina Má" (2006), foi sua primeira incursão por uma história de amor, e foi muito elogiado.
Ao longo de sua carreira, Llosa recebeu inúmeros prêmios e condecorações como o Prêmio Rómulo Gallegos (1967), o Prêmio Nacional de Novela do Peru em 1967, por seu romance "A Casa Verde", o Prêmio Príncipe das Astúrias de Letras, da Espanha (1986) e o Prêmio da Paz de Autores da Alemanha, concedido na Feira do Livro de Frankfurt (1997). Em 1993, recebeu o Prêmio Planeta por seu romance "Lituma nos Andes". Foi condecorado pelo governo francês com uma medalha de honra en 1985.
Carreira política
Nascido numa família de classe média em Arequipa, em 28 de março de 1936, Vargas Llosa viveu na Bolívia e em Lima antes de ir estudar literatura na Espanha. Sua obra já foi traduzida em mais de 20 línguas. De origem esquerdista, na década de 1970 rompeu com o regime comunista cubano, para desgosto de muitos de seus companheiros do mundo literário, e se tornou um conservador. Alguns nunca o perdoaram por sua guinada à direita, que fez o escritor defender apaixonadamente uma mistura de livre-mercado com liberalismo social, com profissão de fé na democracia e ódio por regimes autoritários.
Um dos escritores mais respeitados no continente sul-americano, concorreu à presidência do Peru em 1990, sem sucesso. Também é famosa a vez no México, em 1976, em que deu um soco no rosto do colombiano Gabriel García Márquez, agora seu colega entre os premiados do Nobel, justamente o último sul-americano a ganhar o prêmio. Logo depois do anúncio da Academia Sueca, García Márquez escreveu no Twitter: "estamos quites".
Depois da derrota na eleição de 1990, o escritor se mudou para a Espanha, onde adquiriu cidadania. "Na verdade, nunca tive uma carreira política", disse ele. "Participei da política sob circunstâncias muito especiais (...) e sempre disse que, ganhando ou perdendo as eleições, eu voltaria ao meu trabalho literário e intelectual, e não para a política."
Vargas Llosa leciona na Universidade de Princeton, em Nova York, e virá ao Brasil na próxima quinta-feira (14) para participar do evento Fronteiras do Pensamento, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Sobre suas aulas, afirma: "Sou basicamente um escritor, não professor, mas gosto de lecionar por causa dos alunos e pela chance de falar a eles sobre boa literatura. Boa literatura não é apenas entretenimento – e é um entretenimento fantástico –, mas também algo que possibilita um entendimento melhor do mundo em que vivemos."
Em nota oficial, o presidente peruano, Alan García, parabenizou o escritor. "Vargas Llosa é um extraordinário criador da linguagem, um grande romancista, um grande dramaturgo que tem incursionado em todos os cantos da criação", afirmou.
Vargas Llosa irá à cerimônia de entrega do Nobel em 10 de dezembro – aniversário da morte de seu fundador, Alfred Nobel –, em Estocolmo, e, de acordo com a tradição, será o encarregado de fazer o discurso em nome de todos os premiados, com exceção do Nobel da Paz, realizado em um ato paralelo, em Oslo.
Nos últimos dias foram divulgados os vencedores nas categorias científicas, começando pelo de Medicina, na segunda-feira, para o britânico Robert G. Edwards; o de Física, dividido pelos russos Andre Geim e Konstantin Novoselov, e o de Química, para o americano Richard Heck e os japoneses Ei-ichi Negishi e Akira Suzuki. A rodada de anúncios se encerra na próxima segunda-feira, quando será comunicado o vencedor de Economia.
Conheça as principais obras de Mario Vargas Llosa:
Ficção
"Os Chefes" (1959)
"A Cidade e os Cachorros" (1963)
"A Casa Verde" (1966)
"Conversa na Catedral" (1969)
"Pantaleão e as Visitadoras" (1973)
"Tia Júlia e o Escrevinhador" (1977)
"A Guerra do Fim do Mundo" (1981)
"Historia de Mayta" (1984)
"Quem Matou Palomino Molero?" (1986)
"O Falador" (1987)
"Elogio da Madrasta" (1988)
"Lituma nos Andes" (1993)
"Os Cadernos de Dom Rigoberto" (1997)
"A Festa do Bode" (2000)
"O Paraíso na Outra Esquina" (2003)
"Travessuras da Menina Má" (2006)
Teatro
"A Menina de Tacna" (1981)
"Kathie e o Hipopótamo" (1983)
"La Chunga" (1986)
"El Loco de los Balcones" (1993)
"Olhos Bonitos, Quadros Feios" (1996)
Ensaios
"García Márquez: historia de un deicidio" (1971)
"Historia secreta de una novela" (1971)
"La orgía perpetua: Flaubert y Madame Bovary" (1975)
"Contra viento y marea. Volúmen I" (1962-1982) (1983)
"Contra viento y marea. Volumen II" (1972-1983) (1986)
"La verdad de las mentiras: Ensayos sobre la novela moderna" (1990)
"Contra viento y marea. Volumen III" (1964-1988) (1990)
"Carta de batalla por Tirant lo Blanc" (1991)
"Desafíos a la libertad" (1994)
"La utopía arcaica. José María Arguedas y las ficciones del indigenismo" (1996)
"Cartas a un novelista" (1997)
"El lenguaje de la pasión" (2001)
"La tentación de lo imposible" (2004)
(Por iG São Paulo com agências | 07/10/2010 08:22)
Escritor peruano receberá R$ 2,7 milhões da Academia Sueca e virá ao Brasil na próxima semana, para um evento em Porto Alegre
O escritor peruano Mario Vargas Llosa, 74 anos, é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura 2010, anunciou hoje a Academia Sueca. Llosa é autor de best-sellers como "Pantaleão e as Visitadoras", "A Festa do Bode" e "A Casa Verde", e foi o vencedor do Prêmio Cervantes, o mais importante da literatura em língua espanhola, em 1994. É o primeiro escritor latino-americano a ganhar o Nobel de Literatura desde o mexicano Octavio Paz, em 1990. Sua obra já foi traduzida em mais de 20 línguas. "Travessuras da Menina Má" é seu último trabalho, lançado em 2006, disponível no Brasil pela editora Alfaguara.
Segundo comunicado, Vargas Llosa recebeu o prêmio "por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual". Peter Englund, presidente do comitê de literatura do Nobel, disse que o escritor ficou "muito comovido e entusiasmado" ao saber da escolha. "Ele é um autor excepcional, e um dos grandes escritores do mundo de língua espanhola", disse Englund. "É uma das pessoas que estavam por trás do boom literário na América Latina nos anos 60 e 70, e continua trabalhando e crescendo."
Em entrevista a uma rádio colombiana, Vargas Llosa afirmou que este é um reconhecimento da literatura da América Latina. "Não pensava que sequer estava entre os candidatos", disse o escritor em Nova York, na primeira reação após receber a notícia do prêmio. "Pensava que era uma brincadeira. Tenho vontade de ir caminhar porque estou meio perplexo." De fato, ele nem aparecia entre os possíveis ganhadores nas listas das tradicionais casas de apostas britânicas, que acreditavam na campanha do poeta sueco Tomas Transtomer. "Acredito que é um reconhecimento à literatura latinoa-mericana e à literatura em língua espanhola, e isto sim deve alegrar a todos", acrescentou ele.
A vitória do Nobel vem acompanhada de uma soma em dinheiro no valor de R$ 2,7 milhões. Em 2009, o prêmio foi dado à escritora alemã Herta Müller, 12ª mulher a vencer o Nobel de Literatura. Em 2008 foi a vez de Jean-Marie Gustave Le Clézio e em 2007, Doris Lessing.
Material autobiográfico
Em mais de 30 romances, peças e ensaios, Vargas Llosa desenvolveu sua técnica de contar histórias a partir de vários pontos de vista, às vezes separados no tempo e espaço. Seu trabalho permeia os gêneros e o consolidou como uma das figuras cruciais do "boom" literário latino-americano dos anos 60.
Muitas de suas obras têm componentes autobiográficos. Seu aclamado romance de estreia, "A Cidade e os Cachorros" (1962), era inspirado na sua adolescência em uma academia militar de Lima. Em "O Peixe na Água" (1993), relatou sua experiência como candidato a presidente. "O trabalho de um autor é alimentado por sua própria experiência e, com os anos, se torna mais rico", disse Vargas Llosa em entrevista à Reuters em Madri, em 2001.
De fato, a escrita de Vargas Llosa cresceu junto com sua experiência. Ele continuou experimentando com a forma, a perspectiva e os temas. Um dos seus romances mais recentes, "Travessuras da Menina Má" (2006), foi sua primeira incursão por uma história de amor, e foi muito elogiado.
Ao longo de sua carreira, Llosa recebeu inúmeros prêmios e condecorações como o Prêmio Rómulo Gallegos (1967), o Prêmio Nacional de Novela do Peru em 1967, por seu romance "A Casa Verde", o Prêmio Príncipe das Astúrias de Letras, da Espanha (1986) e o Prêmio da Paz de Autores da Alemanha, concedido na Feira do Livro de Frankfurt (1997). Em 1993, recebeu o Prêmio Planeta por seu romance "Lituma nos Andes". Foi condecorado pelo governo francês com uma medalha de honra en 1985.
Carreira política
Nascido numa família de classe média em Arequipa, em 28 de março de 1936, Vargas Llosa viveu na Bolívia e em Lima antes de ir estudar literatura na Espanha. Sua obra já foi traduzida em mais de 20 línguas. De origem esquerdista, na década de 1970 rompeu com o regime comunista cubano, para desgosto de muitos de seus companheiros do mundo literário, e se tornou um conservador. Alguns nunca o perdoaram por sua guinada à direita, que fez o escritor defender apaixonadamente uma mistura de livre-mercado com liberalismo social, com profissão de fé na democracia e ódio por regimes autoritários.
Um dos escritores mais respeitados no continente sul-americano, concorreu à presidência do Peru em 1990, sem sucesso. Também é famosa a vez no México, em 1976, em que deu um soco no rosto do colombiano Gabriel García Márquez, agora seu colega entre os premiados do Nobel, justamente o último sul-americano a ganhar o prêmio. Logo depois do anúncio da Academia Sueca, García Márquez escreveu no Twitter: "estamos quites".
Depois da derrota na eleição de 1990, o escritor se mudou para a Espanha, onde adquiriu cidadania. "Na verdade, nunca tive uma carreira política", disse ele. "Participei da política sob circunstâncias muito especiais (...) e sempre disse que, ganhando ou perdendo as eleições, eu voltaria ao meu trabalho literário e intelectual, e não para a política."
Vargas Llosa leciona na Universidade de Princeton, em Nova York, e virá ao Brasil na próxima quinta-feira (14) para participar do evento Fronteiras do Pensamento, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Sobre suas aulas, afirma: "Sou basicamente um escritor, não professor, mas gosto de lecionar por causa dos alunos e pela chance de falar a eles sobre boa literatura. Boa literatura não é apenas entretenimento – e é um entretenimento fantástico –, mas também algo que possibilita um entendimento melhor do mundo em que vivemos."
Em nota oficial, o presidente peruano, Alan García, parabenizou o escritor. "Vargas Llosa é um extraordinário criador da linguagem, um grande romancista, um grande dramaturgo que tem incursionado em todos os cantos da criação", afirmou.
Vargas Llosa irá à cerimônia de entrega do Nobel em 10 de dezembro – aniversário da morte de seu fundador, Alfred Nobel –, em Estocolmo, e, de acordo com a tradição, será o encarregado de fazer o discurso em nome de todos os premiados, com exceção do Nobel da Paz, realizado em um ato paralelo, em Oslo.
Nos últimos dias foram divulgados os vencedores nas categorias científicas, começando pelo de Medicina, na segunda-feira, para o britânico Robert G. Edwards; o de Física, dividido pelos russos Andre Geim e Konstantin Novoselov, e o de Química, para o americano Richard Heck e os japoneses Ei-ichi Negishi e Akira Suzuki. A rodada de anúncios se encerra na próxima segunda-feira, quando será comunicado o vencedor de Economia.
Conheça as principais obras de Mario Vargas Llosa:
Ficção
"Os Chefes" (1959)
"A Cidade e os Cachorros" (1963)
"A Casa Verde" (1966)
"Conversa na Catedral" (1969)
"Pantaleão e as Visitadoras" (1973)
"Tia Júlia e o Escrevinhador" (1977)
"A Guerra do Fim do Mundo" (1981)
"Historia de Mayta" (1984)
"Quem Matou Palomino Molero?" (1986)
"O Falador" (1987)
"Elogio da Madrasta" (1988)
"Lituma nos Andes" (1993)
"Os Cadernos de Dom Rigoberto" (1997)
"A Festa do Bode" (2000)
"O Paraíso na Outra Esquina" (2003)
"Travessuras da Menina Má" (2006)
Teatro
"A Menina de Tacna" (1981)
"Kathie e o Hipopótamo" (1983)
"La Chunga" (1986)
"El Loco de los Balcones" (1993)
"Olhos Bonitos, Quadros Feios" (1996)
Ensaios
"García Márquez: historia de un deicidio" (1971)
"Historia secreta de una novela" (1971)
"La orgía perpetua: Flaubert y Madame Bovary" (1975)
"Contra viento y marea. Volúmen I" (1962-1982) (1983)
"Contra viento y marea. Volumen II" (1972-1983) (1986)
"La verdad de las mentiras: Ensayos sobre la novela moderna" (1990)
"Contra viento y marea. Volumen III" (1964-1988) (1990)
"Carta de batalla por Tirant lo Blanc" (1991)
"Desafíos a la libertad" (1994)
"La utopía arcaica. José María Arguedas y las ficciones del indigenismo" (1996)
"Cartas a un novelista" (1997)
"El lenguaje de la pasión" (2001)
"La tentación de lo imposible" (2004)
(Por iG São Paulo com agências | 07/10/2010 08:22)
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Espaço Ponto de Vista: A Saída de Zico e a Crise Política no Flamengo
Hoje eu quero falar do Flamengo, aliás, da confusa saída de Zico. Ontem, a atração do programa Bate-Bola, da ESPN-Brasil, foi a presença do ex-diretor de futebol do Flamengo, Zico. O galinho foi entrevistado pelos comentaristas esportivos do programa, Mauro Cézar Pereira, Paulo Vinícius Coelho e Lúcio de Castro. Foram 2 horas dedicadas às explicações dos motivos que levaram Zico a deixar prematuramente o comando de futebol do clube. Além de se explicar do porquê de sua saída, Zico também falou da política agressiva que arrasa o clube. Segundo ele, a presidenta, Patrícia Amorim, limitou o seu trabalho e quando sua empresa (CFZ), comandada pelos seus filhos, foi acusada de lesar as finanças do Flamengo, não pode se defender, muito menos se explicar. Segundo Zico, isso foi o motivo maior de sua saída. Já quanto às acusações, o galinho está processando criminalmente o capitão Léo e outros dirigentes. Disse que ‘quem acusa tem que provar’.
O galinho também falou de seu possível interesse em concorrer à presidência do Flamengo, cargo, aliás, bem mais compatível com a importância e o caráter do craque.
Zico é um ídolo nato. Não e apenas ídolo do Flamengo, mas de muitos torcedores de todo o Brasil, sejam eles vascaínos, tricolores, botafoguenses, corinthianos, são paulinos. Quem não gostaria de ter tido um jogador como Zico defendendo as cores de seu clube? Pois é, como jogador e, até hoje, como pessoa, Zico já mostrou que seus valores e seu caráter estão acima de tudo. Durante o programa, foi perceptível uma ponta de mágoa no craque quanto à confusão de sua saída, pois deixar o clube amado pelas portas dos fundos, para um ídolo como ele, deve ser frustrante, mas mesmo assim, segundo ele, ‘o Flamengo está acima de tudo’. Quem não ficaria chateado?
Perguntaram, inocentemente, não me lembro bem quem foi, se não era cedo para ‘abandonar o barco’?. Zico, na ponta da língua, disse:
- Eu não abandonei o barco, fui chutado do barco. Eu não me sentia o comandante. Queria ir me defender das acusações, mas ela insistiu “não vai lá, não vai lá, deixa que eu resolvo”. Depois fiquei sabendo que ela fez uma reunião (terça-feira, com Leonardo Ribeiro) e levou o diretor da base (Carlos Noval). Quem tinha que ir era eu. As acusações eram contra mim e os meus filhos. Como ia continuar assim? Perde-se a confiança. Eu não tinha mais condição, me jogaram do barco, me alijaram.
O fato é que problemas como o de Zico (políticos) são as causas do mau desempenho do Flamengo no campeonato brasileiro. A presidenta Patrícia Amorim, nesse episódio, já demonstrou que não tem tanto comando assim no clube, portanto uma queda para a segunda divisão, talvez, não seja tão ruim, pois poderá ser o estopim de uma profunda reformulação da política do clube. Uma reformulação para melhor.
Agora, a diretoria aposta na competência de Vanderlei Luxemburgo para salvar a pátria. O mais curioso é que o Luxa fez um pífio trabalho no Atlético Mineiro e terá, na Gávea, a mesma autonomia que tinha no clube mineiro, será uma espécie de gerente-técnico. Portanto, contratação bem curiosa.
Espero que Vanderlei consiga salvar o clube do rebaixamento neste ano, pois se não conseguir, ficará feio para ele (treinador), pois o clube, enquanto não se imunizar contra a sua política maléfica, continuará correndo risco de ter a sua imagem jogada na lama, isto é, se não for desta vez, será na próxima. Se não for dado um basta, não tardará.
(Por Franco Aldo, 06/10/2010, às 13:30Hs)
O galinho também falou de seu possível interesse em concorrer à presidência do Flamengo, cargo, aliás, bem mais compatível com a importância e o caráter do craque.
Zico é um ídolo nato. Não e apenas ídolo do Flamengo, mas de muitos torcedores de todo o Brasil, sejam eles vascaínos, tricolores, botafoguenses, corinthianos, são paulinos. Quem não gostaria de ter tido um jogador como Zico defendendo as cores de seu clube? Pois é, como jogador e, até hoje, como pessoa, Zico já mostrou que seus valores e seu caráter estão acima de tudo. Durante o programa, foi perceptível uma ponta de mágoa no craque quanto à confusão de sua saída, pois deixar o clube amado pelas portas dos fundos, para um ídolo como ele, deve ser frustrante, mas mesmo assim, segundo ele, ‘o Flamengo está acima de tudo’. Quem não ficaria chateado?
Perguntaram, inocentemente, não me lembro bem quem foi, se não era cedo para ‘abandonar o barco’?. Zico, na ponta da língua, disse:
- Eu não abandonei o barco, fui chutado do barco. Eu não me sentia o comandante. Queria ir me defender das acusações, mas ela insistiu “não vai lá, não vai lá, deixa que eu resolvo”. Depois fiquei sabendo que ela fez uma reunião (terça-feira, com Leonardo Ribeiro) e levou o diretor da base (Carlos Noval). Quem tinha que ir era eu. As acusações eram contra mim e os meus filhos. Como ia continuar assim? Perde-se a confiança. Eu não tinha mais condição, me jogaram do barco, me alijaram.
O fato é que problemas como o de Zico (políticos) são as causas do mau desempenho do Flamengo no campeonato brasileiro. A presidenta Patrícia Amorim, nesse episódio, já demonstrou que não tem tanto comando assim no clube, portanto uma queda para a segunda divisão, talvez, não seja tão ruim, pois poderá ser o estopim de uma profunda reformulação da política do clube. Uma reformulação para melhor.
Agora, a diretoria aposta na competência de Vanderlei Luxemburgo para salvar a pátria. O mais curioso é que o Luxa fez um pífio trabalho no Atlético Mineiro e terá, na Gávea, a mesma autonomia que tinha no clube mineiro, será uma espécie de gerente-técnico. Portanto, contratação bem curiosa.
Espero que Vanderlei consiga salvar o clube do rebaixamento neste ano, pois se não conseguir, ficará feio para ele (treinador), pois o clube, enquanto não se imunizar contra a sua política maléfica, continuará correndo risco de ter a sua imagem jogada na lama, isto é, se não for desta vez, será na próxima. Se não for dado um basta, não tardará.
(Por Franco Aldo, 06/10/2010, às 13:30Hs)
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